Compaixão não é mimo. É o remédio que falta na conta do absenteísmo
Segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social divulgados em janeiro de 2026, o Brasil concedeu em 2025 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Recorde da série histórica, o segundo em dez anos.
São mais de meio milhão de pessoas que adoeceram a ponto de não conseguir trabalhar. Quase dois terços eram mulheres. E a conta chegou: mais de R$ 3,5 bilhões só em benefícios do INSS.
Repare numa coisa antes de seguir. Esses números são de quem ficou doente o suficiente para um médico atestar e o INSS conceder. É a ponta do iceberg. Embaixo dela está o presenteísmo, colaborador que aparece, senta na cadeira e não rende, que ninguém contabiliza com a mesma precisão.
A reação padrão das empresas a esse cenário tem nome: programa de bem-estar. Yoga na sexta, app de meditação, fruta na copa, palestra motivacional uma vez por ano.
São iniciativas válidas, mas insuficientes quando não vêm acompanhadas de mudanças na organização do trabalho. E é aí que mora o nó: o problema não está (só) na cabeça do indivíduo. Está em como o trabalho é estruturado, cobrado e liderado.
25 • 06 • 2026