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A IA precisa de humanidade. A NR-1 exige. E a compaixão é a ponte.

por Lisa Polloni
23 de maio, 2026

Esta semana, três coisas bem diferentes apontaram para a mesma direção.

A NR-1 entrou em vigor com fiscalização punitiva no Brasil, equiparando riscos psicossociais tais como burnout, assédio, sobrecarga de trabalho, ao mesmo nível de risco físico de acidente. O IDC publicou um estudo mostrando que as empresas investem até 14 vezes mais em ferramentas de IA do que no desenvolvimento das pessoas que vão usá-las. E a Microsoft publicou no blog corporativo um título que me fez parar: “AI needs more than intelligence, it needs humanity.”

Não é coincidência. É um sinal.

O que os dados mostram

A NR-1 reconhece o que a gente já sabia: burnout e sobrecarga não se resolvem com campanhas internas para engajamento dos colaboradores, distribuir aplicativos de meditação, refrigerante e snacks gratuitos, ou day off isolado. Os riscos são criados pela cultura da empresa e pela forma como os líderes de comportam.

O IDC traduz isso em números: as empresas colocam entre US$ 6,5 e 14,4 milhões em ferramentas de IA e menos de US$ 1 milhão em treinamento de liderança. Resultado: menos de 1% das organizações chegou ao estágio ideal de desenvolvimento humano para a era da IA.

O relatório coloca a construção de segurança psicológica como uma habilidade de liderança indispensável para que a IA funcione de verdade porque só em um ambiente seguro os colaboradores experimentam, erram e aprendem com a tecnologia.

Tecnologia disparando na frente. Humanidade ficando para trás.

O estudo lista cinco categorias de habilidades humanas que nenhuma IA substitui. A que mais me interessa, porque é o meu foco de interesse e pesquisa há anos, é a de liderança humanizada: compaixão, gestão de mudança e segurança psicológica.

Empatia ou Compaixão? Essa distinção importa e é onde a maioria dos programas de liderança falham.

Empatia é sentir o que o outro sente. Compaixão é sentir e agir, fazer alguma coisa. Um líder empático absorve a dor do time. Um líder compassivo transforma essa percepção em algo concreto: a pergunta certa, o espaço seguro, a decisão que protege a pessoa antes de proteger o processo.

A neurociência prova isso: quando o líder está realmente presente, o cérebro do colaborador sai do modo ameaça, onde criatividade e aprendizado ficam travados e entra no modo conexão, onde a performance real acontece. Não é papo de coach. É fisiologia.

E é exatamente essa segurança que a adoção de IA exige. Para testar uma ferramenta nova, errar na frente do gestor, propor um fluxo diferente ou admitir que não entendeu o modelo, o colaborador precisa se sentir seguro. Essa segurança não vem da plataforma. Vem do líder.

O que eu aprendi na prática

Desde que comecei no mundo corporativo, independentemente da empresa, tive que lidar com os famosos quarterly reviews, reuniões onde os times apresentavam os resultados em decks bem polidos e ensaiados. Os erros cuidadosamente varridos para debaixo do tapete. Às vezes a custo de budget desperdiçado, retrabalho escondido, de burn out e lições que nunca vinham a luz e eram discutidas e lições aprendidas.

Decidi mudar o formato. Em vez de mostrar o que funcionou, criei decks para meu time que chamava de lowlights, o que não deu certo, o que poderia ter sido melhor ou cancelado. Cada time compartilhava uma coisa que não tinha dado certo e o que fariam diferente se pudessem voltar no tempo. Era leve, às vezes até divertido, muitas vezes os resultados vinham acompanhados de risadas mas com uma seriedade real por trás: responsabilidade sem punição, aprendizado sem humilhação.

O efeito foi imediato. As pessoas passaram a chegar mais honestas, mais abertas, mais dispostas a tentar coisas novas porque sabiam que o erro não seria usado contra elas. A qualidade das decisões melhorou porque os problemas reais finalmente podiam ser nomeados.

Isso é compaixão aplicada à liderança. E é uma habilidade que podemos aprender e treinar.

A pergunta para a segunda-feira de manhã

Como estou criando condições para que as pessoas ao meu redor se sintam seguras para tentar, errar e aprender?

A NR-1 define o chão mínimo. Os dados do IDC mostram o gap. Mas o teto, o que separa um ambiente que apenas cumpre a lei de um ambiente onde as pessoas realmente florescem é construído por líderes que escolheram colocar humanidade no centro do seu trabalho.

Escrevi O Poder da Compaixão no Ambiente de Trabalho, publicado pela AltaBooks, exatamente para esses líderes. Com dados atualizados, frameworks práticos, algumas ideias e tudo que aprendi em mais de 25 anos dentro de grandes organizações.

O livro está disponível na Amazon Brasil no link https://a.co/d/0evBY2FX

Fontes: IDC InfoBrief “Powering Up: Human Skills for the AI Era” (maio/2026) | Microsoft Cloud Blog “AI needs more than intelligence, it needs humanity” (maio/2026) | Ministério do Trabalho e Emprego: NR-1 atualizada (vigência punitiva: 26/05/2026).

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© Lisa Polloni, 2025